De 2 a 8 de fevereiro de 2026

  • Voltei a ser síndica do meu prédio. Depois de muita chateação com a ex-síndica, que me passou em janeiro o cargo e os encargos, mas não o saldo de caixa do condomínio nem os comprovantes de pagamento das contas de água e luz, que eu vinha pedindo desde novembro de 2025, pois havia ameaças de corte. Depois de muita reclamação, finalmente a criatura cumpriu o devido. Agora que tem saldo vou botar ordem na bagunça que ela deixou: lavar a caixa dágua (tá imunda), consertar os interfones, trocar a fechadura do portão, repor as cerâmicas do hall, entre outras coisas.

  • Começou o ano letivo da Escola de Arte João Pernambuco, com as boas-vindas aos novos alunos. Foi bem divertido, principalmente uma sessão hilária de terapia do riso. Estou na turma de Canto Coral, toda terça-feira de tarde, e vou fazer uma oficina de teatro pra ver se gosto. Também estou interessada nas aulas de piano...será que dá(?)

  • Foi sensacional o primeiro Baile das Artes e dos Artistas, no Clube das Pás, em homenagem aos trinta anos do filme O Baile Perfumado. Dancei muito, frevo, samba, funk e o escambau. Fazia tempo que não ia pra nenhuma festa e me joguei pra valer, me diverti muito (foto).

  • O último ensaio do Maracatu Real da Várzea antes do Carnaval foi com todo mundo de fantasia (foto). Muito bom, o batuque tá empolgante Com meu irmão, ator Jomeri Pontes, no Baile das Artes ensaio do MRV com fantasia improvisada

De 26 de janeiro a 1 de fevereiro de 2026

  • Semaninha difícil essa, que misturou tristeza e alegria em doses quase iguais! Começou com o aniversário de 13 anos do meu neto cachorro, Astro, e apenas dois dias depois com a morte dele, vítima de um câncer devastador de pulmão. Conversei muito com Maíra, que está vivendo o luto, tentando animá-la.

  • Tive uma trabalheira miserável, para limpar o texto de um livro de contos dos inúmeros defeitos colocados por uma OCR (Reconhecimento Ótico de Caracteres). Finalmente consegui e agora vou começar a revisar. Ainda terei que reescrever vários parágrafos que estão simplesmente ilegíveis.

  • Calor de 31 graus no Recife. Teve dia em que entrei quatro vezes no chuveiro pra me refrescar, e enquanto a gente se enxuga já está suando de novo!

  • Por fim uma alegria: a semana terminou com apresentação do Maracatu Real da Várzea no palco da Praça do Arsenal, no Recife Antigo, integrando a programação de Carnaval da Prefeitura do Recife. Foi lindo (foto), a gente arrasou no batuque, fomos muito aplaudidos. Maracatu Real da Várzea no palco da Praça do Arsenal, no Recife Antigo

Astro morreu. Meu lindo neto cachorro morreu na quarta-feira, dia 28, apenas dois dias depois de ter completado 13 anos (equivalente a 88 em idade de humanos). Ele tinha problemas decorrentes da velhice, como artrose, dificuldade de se levantar, lentidão, um princípio de surdez... já sabíamos que não passaria deste ano, pois a raça dele, Golden Retriever, vive no máximo 12 anos, mas ninguém imaginava que o fim chegaria da forma repentina que chegou.

No comecinho de setembro, quando estava passando férias em Valência, levamos os dois cachorros - Astro e Luna - ao veterinário, para exames de rotina, e ambos estavam muito bem. Maira contou que em dezembro ele começou a tossir. Às vezes chorava de noite, o que poderia ser devido à artrose. Mas ultimamente a barriga ficou inchada e foi preciso levar ao veterinário para exames mais apurados. Não deu outra: um câncer devastador de pulmão, com um tumor tão grande que estava pressionando o coração, expulsando um liquido infeccioso que estava invadindo os órgãos. Morrer seria uma questão de dias ou horas, e o sofrimento dele iria aumentar muito.

A eutanásia foi realizada. Maira e Jaanus, meu genro, voltaram arrasados para casa. Tenho conversado bastante com Maira, pois a vida segue e é preciso tocar o barco. Está sendo difícil para eles porque foram 13 anos de convivência, a presença de Astro está impregnada em todos os cantos da casa. Até para mim, que só convivia com ele nas férias, dá saudade. Sei que vou sentir muito a falta dele quando voltar a Valência e não pudermos mais colher figos (nós comíamos vários), nem brincar fingindo que tomava seu brinquedo preferido, um velho e amassado hamburguer de pano.

Adeus, meu neto lindo. eu e Astro tomando sol no jardim escolhendo os figos que íamos comer

De 19 a 25 de janeiro de 2026

  • Comecei a semana recebendo a síndica do condomínio, que veio me passar o cargo. Passou o cargo, mas não o saldo de caixa, quase cinco mil reais, nem os comprovantes pagos das contas recentes de água e luz, que ela jura que estão quitadas apesar das ameaças de corte de água. Como nosso prédio não tem CNPJ, diz ela que depositava o dinheiro na conta pessoal, por isso não tem como dispor do montante e vai pagar em parcelas!!! Ou seja, me tornei síndica sem nenhum tostão. A criatura pediu prazo para pagar a primeira parcela, 31 deste mês, e eu já me informei: se não pagar posso fazer um boletim de ocorrência por apropriação indébita.

  • Meu querido amigo Marco Polo é meio desleixado, perde coisas e há meses precisa consertar o computador. Ele me passou apenas impresso o texto do seu novo livro, para digitalizar e revisar. Então tive de escanear e fazer uma OCR (Reconhecimento Ótico de Caracteres), depois converter o PDF em Word. Essa solução é problemática porque a OCR coloca defeitos no texto, como trocar letras, incluir números e figuras no meio da palavra, sumir com partes do texto, entre outros. Por isso tenho de “limpar” o texto e reescrever parágrafos ou mesmo capítulos inteiros. Trabalhão.

  • Estou lendo As intermitências da morte, de José Saramago. Entre as melhores sacadas do escritor, que utiliza o humor de forma genial, está o conceito de soberania nacional... da máphia (com ph para diferenciar da máfia tradicional, embora se utilize dos mesmos métodos de persuasão...).

  • Nosso Clube do Livro conta agora com cinco mulheres e dois homens. Estamos crescendo com ótimas aquisições de leitores.

Descobri que me enquadro com restrições na categoria de NOLT, a sigla que identifica os “novos velhos”: New Older Living Trend, em inglês, algo como a nova tendência de vida da turma acima dos 60 anos, que não mais se conforma em ser meros aposentados que "já deram o que tinham de dar” e agora vão, enfim, poder “descansar”. Nada disso.

Para uma boa parcela dos idosos a idade não limita as ambições de conhecimento, diversão, vida social, aprendizado, aventura... Os verdadeiros Nolts viajam, saem para dançar, vão à praia, namoram, malham...enfim, têm uma vida ativa, longe do estereótipo dos avós de antigamente, dos quais se esperava apenas que se dedicassem aos netos, à religião e às idas ao médico. Agora, as redes sociais ajudam a interagir e as limitações físicas, que naturalmente se impõem com a idade, são adiadas ou dribladas com ajuda de exercícios e caminhadas, e as academias de ginástica têm uma clientela sênior cada vez maior.

Eu quase posso ser definida como Nolt. Vejamos: fisicamente sou ativa, pois cuido sozinha da minha casa, lavo as roupas, cozinho, costuro para mim e minhas irmãs, vou ao mercado e tenho força para carregar as sacolas de compras (meu prédio não tem elevador e eu moro no primeiro andar), dirijo, toco alfaia e agbê aos sábados no Maracatu Real da Várzea, cuido da gatinha Coisa Linda, e faço trabalho voluntário cozinhando para comunidades com o pessoal do Movimento de Cozinha Popular nas quintas-feiras a tarde (foto). Mesmo assim, me considero sedentária por não fazer exercícios e passar sentada boa parte do dia; preciso voltar a me exercitar para o corpo acompanhar o mesmo ritmo do intelecto que, este sim anda muito bem obrigada.

Intelctualmente sou produtiva: fundei um clube de leitura, que se reúne uma vez ao mês; estou preparando meu primeiro livro de poesias; pesquiso e experimento receitas diet; estudo inglês pelo Duolingo; vejo filmes e séries (assino a Netflix); viajo para visitar minha filha na Europa; sou síndica do meu prédio por isso preparo planilhas de prestação de contas usando o Excel; me divirto jogando no tablet; leio em inglês e espanhol e arranho o francês...ou seja, só não sou uma Nolt verdadeira porque tem uma grande lacuna nesse caminho, além da preguiça de fazer exercícios: não sei fazer amigos e sou do tipo introspectiva, por isso me falta companhia para sair.

Tenho ido sozinha ao teatro, cinema, feiras de artesanato, shoppings e exposições, quando venço a preguiça de sair de casa, enfrentar o trânsito e procurar onde estacionar. Tenho tendência à solitude, que é gostar de estar só. Mas é chato não ter com quem conversar quando quero ir a um bar, um show ou sair pra dançar, o que então se transforma em solidão. Depois que morreu a amiga que mais inventava programas pra gente se divertir, somente minha irmã Nalvinha me acompanha, mas nem sempre. Ao longo dos anos as pessoas foram se afastando, e agora me restam pouquíssimas amigas, que encontro esporadicamente. Por isso que sou Nolt, mas nem tanto. cozinhando com o Movimento de Cozinhas Populares

De 12 a 18 de janeiro de 2026

  • Contratei o editor Wellington de Melo para a mentoria do meu primeiro livro de poesia: revisar, editar, aconselhar, tirar dúvidas, indicar prêmios de textos inéditos, indicar editoras, acompanhar até a publicação. Depois que ele fez uma leitura crítica e encontrou qualidade na minha produção, finalmente me sinto segura para botar o bloco na rua: É hora de mostrar ao mundo os meus escritos.

  • Comecei a primeira leitura do nosso Clube do Livro: As intermitências da morte, de José Saramago. Fantástico, escrito com muito humor, nele Saramago aborda (como fez em Ensaio sobre a cegueira), como a repentina mudança de um sistema estabelecido gera o caos social. No caso, o que se passaria se, de repente, ninguém mais morresse? Mostra que a morte é necessária para manter o equilíbrio da vida.

  • Tive uma ótima reunião com meu amigo Marco Polo, músico e escritor. Trocamos figurinhas sobre nossos escritos e ele me contratou para digitalizar, revisar e dar sugestões para o novo livro de contos dele.

  • Comprei ingresso para a peça Noite, no Janeiro de Grandes Espetáculos, mas na hora H preferi jantar na casa de meus irmãos, Ethinha e Ciel, onde passei a tarde. Por essas e outras não gosto do esquema de compra de ingressos com antecedência.

  • Começamos os ensaios do Maracatu Real da Várzea visando o Carnaval. Repertório novo e batuque poderoso. Tenho dificuldade de tocar (alfaia e agbê) e ao mesmo tempo me concentrar na coreografia, mas estou me esforçando.

  • Estou me sentindo um gênio da costura doméstica: consertei um edredon e fiz duas fronhas (foto) e dois pegadores de panela para minha irmã Nalvinha. Ficaram lindos. ronha estampada que fiz para travesseiro pequeno

De 5 a 11 de janeiro

  • O conceito de “dia útil” está ligado ao trabalho e a oferta de serviços públicos, mas para mim é quando faço coisas necessárias. No primeiro dia útil de 2026 (segunda-feira, 5), fiz faxina, lavei roupas, costurei, li notícias, atualizei este blog, editei poemas, fiz compras no mercado, vi um filme na Netflix, e li poemas antigos de José Rodrigues de Paiva. Dia super útil!

  • Virou tradição na Várzea a Queima da Lapinha do Pastoril das Meninas Encantadas, marcando o encerramento do ciclo natalino. Teve apresentações de Dança Circular e das hilárias Velhas do Pastoril. Ao mesmo tempo começou o ciclo do carnaval, com orquestra de frevo. Fui com minha irmã Nalvinha e meu sobrinho Gabriel.

  • Importante começar o ano cuidando da saúde física e mental, por isso estou marcando consultas com meus médicos e com o dentista.

  • Comprei ingressos para várias peças do Janeiro de Grandes Espetáculos. A primeira foi a apresentação teatral de Memórias Póstumas de Brás Cubas, texto de Machado de Assis, com o fantástico ator Marcos Damigo (foto), que ganhou o prêmio APCA em 2025, no papel do defunto egoista e amoral, em monólogo cheio de humor. O Teatro do Parque estava lotadíssimo. Aplausos super merecidos.

  • Finalmente começamos o Clube do Livro! Depois de muitos desacertos por conta de agenda, nos reunimos no dia 10 na Livraria Jardim, que tem uma ótima estrutura: bons lançamentos literários, estacionamento e o Café Celeste. Definimos o funcionamento do clube, listamos sugestões de leitura, marcamos o próximo encontro para 7 de fevereiro e escolhemos As intermitência da morte, de José Saramago, para ser a nossa primeira leitura.

  • Comecei a consertar roupas de Nalvinha, que não sabe sequer pregar um botão. O primeiro foi um vestido indiano, que precisava encurtar a barra e refazer o bordado de lantejoulas.

ator Marcos Damigo no papel de Brás Cubas

Finalmente foi fundado o Clube do Livro que eu tanto queria. Depois de muita dificuldade para conciliar as agendas nos reunimos na Livraria Jardim, na Av. Manoel Borba, eu, minha irmã Nalvinha e minha querida amiga Danielle Romani. O encontro durou das 10h ao meio dia e de tão empolgadas simplesmente esquecemos de fazer a foto da reunião, que ilustraria este post! Para compensar, estou postando a capa do livro escolhido para a primeira leitura do grupo: As intermitências da morte, de José Saramago, e a logo de capa do grupo no whatsapp.

As outras integrantes, que justificaram a ausência , são a web designer Célia Lins, funcionária da Cepe Editora, e a jornalista Ângela Lacerda, que durante muitos anos foi repórter do jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, e agora dedica-se à área holística.

A primeira reunião foi bastante proveitosa: definimos que o clube está aberto à participação masculina (já convidei dois amigos que gostam de ler); os encontros ocorrerão no primeiro sábado do mês (o próximo será no dia 7 de fevereiro); ao final de cada encontro definiremos a data do seguinte, considerando os feriados e agendas pessoais, mantendo a distância de 30 dias, suficiente para a leitura; cada participante apresentou uma lista de sugestões de leitura e definimos que a cada mês será escolhido um livro da lista de cada pessoa.

Por unanimidade foi definido que o primeiro livro a ser lido é As intermitências da morte, de José Saramago (foto), indicado por Danielle Romani para discussão em fevereiro; o segundo, indicado por Nalvinha, é A sociedade literária da torta da casca de batata, de Mary Ann Shaffer e Anne Barraws, para debate no encontro de março; e o terceiro, indicado por mim, é O adversário, de Emmanuel Carrère, para debate em abril. No encontro de fevereiro definiremos outras leituras extraindo os títulos das sugestões das integrantes que comparecerem à reunião.

De cara uma conquista do nosso clube foi obter desconto na compra dos livros na Livraria Jardim, e a promessa de reserva de um espaço tranquilo no Café Celeste , que fica dento da livraria, sempre que nossas reuniões coincidirem com outros eventos. capa do primeiro livro logo do cube do livro no whatsapp

Meu lindo neto cachorro, Astro, é o tema do calendário de mesa (foto) presenteado pela minha filha Maíra. Astro é um Golden Retriver de 12 anos, portanto tem uma fotografia para cada mês de 2026. Ajudei a selecionar as imagens que o representam, desde quando foi adotado, ainda bebezinho, em Estocolmo, onde curtia rolar na neve e nadar nos lagos, até agora, vivendo em Valência, na Espanha, onde procura fugir do calor e ama caminhar na floresta.

Para este post reuni apenas algumas das fotos.

fotos de Astro no meu calendário de mesa

De 29 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026

  • Dezembro passou “voando”. Final do ano é sempre meio atropelado, com pouca distância entre o Natal, meu aniversário e o reveión...Passei a virada do ano em Olinda, no apartamento do meu irmão, e fomos até a praia, entre Bairro Novo e Casa Caiada (foto) para ver a queima de fogos, que durou cerca de 20 minutos. Depois voltamos para a ceia. Repetimos o mesmo esquema do Natal: dormir no ap. do meu irmão e passar juntos o feriado do primeiro dia do novo ano. Teve cantoria, comilança e jogos de tabuleiro. É sempre muito bom quando a gente se reúne.

  • Meus irmãos, Ethinha e Jaciel, se hospedaram em minha casa nas semanas do Natal e do Ano Novo. Brinco com eles que tenho uma pousada “all inclusive”, com salão de jogos e cachoeira (um chuveirão maravilhoso), sempre aberta para a família. Na sexta-feira, 2 de janeiro, fomos passear no Parque das Graças, que está com uma decoração natalina muito bonita, reproduzindo notas musicais. Jantamos no ap. de minha irmã Nalva e meu sobrinho Gabriel, no bairro da Torre.

  • Aceitei consertar várias roupas de minha irmã Nalvinha: vestidos, colchas e fronhas. Ela não tem nenhum talento pra costura, sequer pregar um botão.

  • Mais uma vez tive de adiar a abertura do Clube do Livro, porque as participantes tinham planos de viagem. Dessa vez marcamos para o sábado, dia 10.

  • Na sexta-feira fiz a besteira de jogar no tablet até 1h da manhã, então passei o sábado feito um zumbi, bêbada de sono. Por isso não tive energia para ir ao primeiro ensaio do ano do Maracatu Real da Várzea, que comemorou os aniversários de dezembro (o meu, inclusive). Todos foram de branco e o batuque foi poderoso. Mea culpa, mea culpa...na minha lista de resoluções, para cumprir em 2026, inclui dormir mais cedo e não perder tanto tempo jogando no tablet ou seguindo as redes sociais.

reveión na praia com meus irmãos e cunhada