Eu, Mariza

Livros, histórias e batuques de maracatu. Por Mariza Pontes.

Tópico: livros

Semana 22 - Haja paciência!

De 19 a 25 de janeiro de 2026

  • Comecei a semana recebendo a síndica do condomínio, que veio me passar o cargo. Passou o cargo, mas não o saldo de caixa, quase cinco mil reais, nem os comprovantes pagos das contas recentes de água e luz, que ela jura que estão quitadas apesar das ameaças de corte de água. Como nosso prédio não tem CNPJ, diz ela que depositava o dinheiro na conta pessoal, por isso não tem como dispor do montante e vai pagar em parcelas!!! Ou seja, me tornei síndica sem nenhum tostão. A criatura pediu prazo para pagar a primeira parcela, 31 deste mês, e eu já me informei: se não pagar posso fazer um boletim de ocorrência por apropriação indébita.
  • Meu querido amigo Marco Polo é meio desleixado, perde coisas e há meses precisa consertar o computador. Ele me passou apenas impresso o texto do seu novo livro, para digitalizar e revisar. Então tive de escanear e fazer uma OCR (Reconhecimento Ótico de Caracteres), depois converter o PDF em Word. Essa solução é problemática porque a OCR coloca defeitos no texto, como trocar letras, incluir números e figuras no meio da palavra, sumir com partes do texto, entre outros. Por isso tenho de “limpar” o texto e reescrever parágrafos ou mesmo capítulos inteiros. Trabalhão.
  • Estou lendo As intermitências da morte, de José Saramago. Entre as melhores sacadas do escritor, que utiliza o humor de forma genial, está o conceito de soberania nacional... da máphia (com ph para diferenciar da máfia tradicional, embora se utilize dos mesmos métodos de persuasão...).
  • Nosso Clube do Livro conta agora com cinco mulheres e dois homens. Estamos crescendo com ótimas aquisições de leitores.

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Semana 21 - Botando o bloco na rua

De 12 a 18 de janeiro de 2026

  • Contratei o editor Wellington de Melo para a mentoria do meu primeiro livro de poesia: revisar, editar, aconselhar, tirar dúvidas, indicar prêmios de textos inéditos, indicar editoras, acompanhar até a publicação. Depois que ele fez uma leitura crítica e encontrou qualidade na minha produção, finalmente me sinto segura para botar o bloco na rua: É hora de mostrar ao mundo os meus escritos.
  • Comecei a primeira leitura do nosso Clube do Livro: As intermitências da morte, de José Saramago. Fantástico, escrito com muito humor, nele Saramago aborda (como fez em Ensaio sobre a cegueira), como a repentina mudança de um sistema estabelecido gera o caos social. No caso, o que se passaria se, de repente, ninguém mais morresse? Mostra que a morte é necessária para manter o equilíbrio da vida.
  • Tive uma ótima reunião com meu amigo Marco Polo, músico e escritor. Trocamos figurinhas sobre nossos escritos e ele me contratou para digitalizar, revisar e dar sugestões para o novo livro de contos dele.
  • Comprei ingresso para a peça Noite, no Janeiro de Grandes Espetáculos, mas na hora H preferi jantar na casa de meus irmãos, Ethinha e Ciel, onde passei a tarde. Por essas e outras não gosto do esquema de compra de ingressos com antecedência.
  • Começamos os ensaios do Maracatu Real da Várzea visando o Carnaval. Repertório novo e batuque poderoso. Gosto de tocar (alfaia, ganzá e agbê) , de cantar e de dançar, mas confesso que me atrapalha fazer as três coisas ao mesmo tempo, porque nunca fui boa com coreografias. Mas estou me esforçando.
  • Estou me sentindo um gênio da costura doméstica: consertei um edredon e fiz duas fronhas (foto) e dois pegadores de panela para minha irmã Nalvinha. Ficaram lindos.

fronha estampada que fiz para travesseiro pequeno

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Fundamos o Clube do Livro

Finalmente foi fundado o Clube do Livro que eu tanto queria. Depois de muita dificuldade para conciliar as agendas nos reunimos na Livraria Jardim, na Av. Manoel Borba, eu, minha irmã Nalvinha e minha querida amiga Danielle Romani. O encontro durou das 10h ao meio dia e de tão empolgadas simplesmente esquecemos de fazer a foto da reunião, que ilustraria este post! Para compensar, estou postando a capa do livro escolhido para a primeira leitura do grupo: As intermitências da morte, de José Saramago, e a logo de capa do grupo no whatsapp.

As outras integrantes, que justificaram a ausência , são a web designer Célia Lins, funcionária da Cepe Editora, e a jornalista Ângela Lacerda, que durante muitos anos foi repórter do jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, e agora dedica-se à área holística.

A primeira reunião foi bastante proveitosa: definimos que o clube está aberto à participação masculina (já convidei dois amigos que gostam de ler); os encontros ocorrerão no primeiro sábado do mês (o próximo será no dia 7 de fevereiro); ao final de cada encontro definiremos a data do seguinte, considerando os feriados e agendas pessoais, mantendo a distância de 30 dias, suficiente para a leitura; cada participante apresentou uma lista de sugestões de leitura e definimos que a cada mês será escolhido um livro da lista de cada pessoa.

Por unanimidade foi definido que o primeiro livro a ser lido é As intermitências da morte, de José Saramago (foto), indicado por Danielle Romani para discussão em fevereiro; o segundo, indicado por Nalvinha, é A sociedade literária da torta da casca de batata, de Mary Ann Shaffer e Anne Barraws, para debate no encontro de março; e o terceiro, indicado por mim, é O adversário, de Emmanuel Carrère, para debate em abril. No encontro de fevereiro definiremos outras leituras extraindo os títulos das sugestões das integrantes que comparecerem à reunião.

De cara uma conquista do nosso clube foi obter desconto na compra dos livros na Livraria Jardim, e a promessa de reserva de um espaço tranquilo no Café Celeste , que fica dento da livraria, sempre que nossas reuniões coincidirem com outros eventos.

capa do primeiro livro logo do cube do livro no whatsapp

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Semana 9 - Livro, comida e jogos

De 20 a 26 de outubro:

  • A sogra de minha filha, voltou para Estocolmo. Eu e Piret ficamos amigas, apesar da barreira da língua: ela só fala sueco e o app de tradução não ajudou; tivemos de apelar para a mímica e o vinho , o que rendeu muitas risadas (foto). Nos despedimos no aeroporto de Valência às 3h30 da madrugada!
  • Preparei salada incluindo sementes de romã, que colhemos em Alborache. Ficou exótica e refrescante, mas não agradou todo mundo.
  • Comecei a ler “O Dossiê Pelicano”, de John Grisham, escrito em 1992, sobre a investigação do assassinato de juízes da corte suprema americana, odiados por extremistas de direita (parece o atual cenário brasileiro, né...)
  • Encontrei um livro de Anton Tchekov em uma “biblioteca” de rua do bairro, em La Canyada, “Del amor y otros relatos” e comecei a ler de imediato. Tchekov é um mestre das narrativas curtas, e eu quero ler mais contos e poesias.
  • Minha filha incluiu no kindle vários livros de autores modernos, a meu pedido. Preciso atualizar meus conhecimentos de literatura.
  • Todo mundo ficou resfriado, com a mudança de temperatura. Tá frio pra caramba!
  • Tentamos muito, mas não conseguimos ver o cometa Lemmon. Agora só daqui a 1300 anos!
  • Mesmo tendo de pagar pra despachar, comprei uma mala de 23kg, linda e resistente, perfeita para viagens longas e de inverno (roupas de frio ocupam mais espaço). Manterei minha mala de 10kg para as viagens curtas.
  • Começamos a assistir a quinta temporada de “Only murders in the building”, com Selena Gomez, Steve Martin e Martim Short. Legendas em inglês para favorecer meu aprendizado.
  • Conclui dois poemas dedicados a meus netos cachorros, Luna e Astro.
  • Comemos Korma, comida indiana no jantar do sábado, e Kagianas, comida grega no café da manhã do domingo, preparadas pela minha talentosa filha, que ama a cozinha internacional.
  • Com chuva e frio, terminamos a semana com o jogo de tabuleiro, Cluedo, e novamente os de 3D, Synth Rider e Ragnarock.

Eu e Piret, alegrinhas de vinho, em passeio às margens do Rio Tibre

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La biblioteca de la medianoche

Todo mundo gostaria de ter a oportunidade de recomeçar a vida, corrigindo os erros. O arrependimento pelo que se fez, ou deixou de fazer, uma das causas mais comuns de infelicidade, e a vontade de encontrar uma nova forma de vida, é o tema do livro do autor britânico Matt Hagg, “The midnight library”, que li no kindle na versão espanhola, “La biblioteca de la medianoche”.

Vencedor do prêmio Goodreads Choise Award 2020, como melhor obra de ficção contemporânea, o livro combina fantasia e filosofia para contar a história de Nora, mulher depressiva, atormentada pelo arrependimento de nunca ter enfrentado as possibilidades que a vida lhe apresentou. Em coma após tentar o suicídio, enquanto permanece no limbo entre a vida e a morte Nora tem a chance de vivenciar todas os caminhos que deixou de seguir por não se sentir merecedora da felicidade.

Inicialmente o livro parece ter uma conotação ligada à doutrina espírita, mas logo se percebe que a filosofia existencialista é seu fundamento principal. Cada nova vida compõe um livro que a personagem encontra em uma biblioteca. Ao experimentá-las, ela percebe que deseja viver e passa a buscar a melhor forma de enfrentar os problemas com coragem. O próprio autor sofria de depressão e ansiedade, então de certa forma ele se coloca na obra, que incentiva as pessoas a refletir sobre o sentido da vida, a importância das decisões e da busca de novas oportunidades. O livro foi apresentado em capítulos na Rádio BBC e traduzido para vários idiomas. Recomendo. Capa do livro La biblioteca de la medianoche

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Beware the Past - crime em inglês

capa do livro Beware the past

Yes, acabei de ler no kindle “Beware the past”. Meu inglês é fuleiro, mas consegui. Foi demorado e difícil porque só leio no kindle quando viajo, pela praticidade e economia de espaço; prefiro os livros impressos, daí demoro um tempão entre os capítulos. Também como não tenho vocabulário suficiente em inglês, mesmo compreendendo o contexto geral tenho de parar várias vezes para pesquisar o significado das palavras mais difíceis.

Tem outro motivo, talvez o principal: embora seja uma boa história de crime, “Beware the past” tem muitos trechos com detalhes que nada acrescentam à trama. Aliás, a prolixidade é um defeito comum em inúmeros autores, que se perdem em divagações, geralmente aborrecidas. Também é questionável o perfil do personagem principal, o inspetor policial Mathew Ballard, atormentado pelo passado, que parece ter dificuldade de tomar decisões e está sempre à beira das lágrimas.

A autora, Joy Ellis, é um sucesso no Reino Unido com suas histórias de crime. Ela já publicou mais de 25 livros, incluindo uma série com o mesmo personagem. Ainda não sei se terei ânimo de ler algum... talvez valha a pena para melhorar meu vocabulário em inglês... sei lá.

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